O vento me trouxe um tocar de flauta bem esclarecido, amoroso e transparente. Aquele tocar percorria todo o espaço envolvente, e atingiu, com sua notas lúcidas, este peito, sempre entregue a todo o momento, a cada inspiração.
Por todas as razões que o raciocínio tente sintonizar e compreender, é de forma bem simples que ele é revelado. O véu se esvai no momento que nada se tenta perceber neste infinito cantar, e uma chave foi entregue neste abandono, não por procura-la ou dirigir a atenção para um merecimento, estes afazeres são tintas que mancham o branco fresco e sempre límpido, mas no entretanto aconteceu um pequenino chorar, leve, sereno, e até debaixo de um sorriso franco, mas a lágrima se soltou...
Este canto trazia o vibrar que dissipava um passado recente de busca por um ideal de vida nesta forma, que durante ciclos foi convergida a uma inversão apetecível e falaciosa, numa busca pelo paraíso de vida, num relacionamento perfeito, ou num status social digno. Ele foi bem claro nesta incisão, o que alias senti, na consciência da consciência, no coração do coração, as cores vibrantes que foram derramadas, almejando perentoriamente a dissolução das ilusões criadas debaixo do maior tapete que um dia eu pudesse imaginar serem criados pelo inconsciente mental, vestido de um engano brutal, com o poder de se cobrir com a roupa mais bela que o universo já viu, com uma mascara perfeita, mas enganadora. Naquele momento foi como que uma revelação que desmembrava um paradoxo que zunia a todo o momento na cabeça, sempre com uma força poderosa. A observação desvela tudo, rarefaz, nesta sentido único do coração de fogo, a movimentada ignorância.
Eu senti naquele momento que a disposição e o posicionamento da alma, depois de tanta fusão e sincronias ao Éter primordial, sentiu que havia chegado o momento da morte em vida, do estabelecimento em sua plenitude da alquimia, e depois de tanta gratidão que este coração se curvou, esta bênção foi realmente Divina. Fui levado a me deitar, por todos aqueles que me acompanham, tão simplesmente sincrónico e perfeito, que é indescritível transcrever, uma brisa se aproximou do lado esquerdo, e se apoderou completamente do corpo, o ponto KiRisTi fervendo ao rubro, e pulsando como se de uma bomba atomica se tratasse. É difícil evacuar da cena a mente que nada entende, mas isto se dá no abandono precisamente de nada tentar entender, mas que ela anda as voltas para ver o que é, num ciclo dos sentidos que imprimem a experiência, é inevitável. O que mais me foi demonstrado naquele momento foi que não importava mais nada do que ela tentasse, nada, aquilo se dava com, ou sem o consentimento do Eu pessoal e fictício, e como um impulso da própria alma, sem mesmo perceber. Todo o tórax e a parte superior do corpo estremeceu,e se a algo posso comparar, diria como uma maquina de lavar roupa, um abanar algo violento... Um onda que subia pela pernas e a brisa do lado esquerdo e o ponto central do topo da cabeça, se afunilaram num só ponto, meus chackras saltaram do corpo, os ouvia em círculos giratórios brutais, se ouvia mesmo com estes ouvidos dos sentidos, e pasmei quando internamente, os vi todos no ar à altura do teto do quarto, sempre rodopiando e acesos no fogo. Isto tudo simultaneamente, o estremecer, o corpo como se desintegrando, e os chakras rodopiando lá no alto. Dentro de mim apenas silêncio, observação, e cumplicidade com a frase "Toma-me em teu Seio" nada mais podia concluir de sintomas interiores, na agitação completa daquele momento. Em todas as vivências, a abertura do peito que haveria acontecido anteriormente e entre tantas muitas outras, esta foi algo que nunca imaginaria viver desta forma, e o mais engraçado é que nunca é como imaginamos, dai o mistério ter essa mesma definição. Já com a parte superior mais calma, o coração ardendo completamente, a mente saiu do coma em que se veria, e parecia que tinha saído de uma anestesia, mas os chakras ainda voavam, num tom bem audível, até que se foram acalmando e pairando de novo como parafusos, nos pontos pertencentes, tudo com uma suavidade incrível, e somente ali abri os olhos. Cristo absorveria todo o espaço, toda a casa, na mente me vinha, sem qualquer palavra, a interiorização do Duplo, e a concretização mística das vestes que me foram entregues na experiência Terra.
Tudo mudou, alias, todas as mudanças se esvaíram no vácuo Absoluto, como se qualquer mudança passada tivesse se situado apenas num único momento sincrónico e Universal, se estabelecendo ali de meu cardíaco, " Pai, sou Uno em teu Coração"
Apesar de estar partilhando algo que não requer palavras e que cada centelha o viverá conforme seu relógio Universal, o propósito do inicio do que comecei escrevendo se encaixa perfeitamente com esta partilha, pois todas as projeções se foram como nuvens, tanto aquelas de um passado reversivo que o planeta atravessou, como as ditas da Nova Era, de uma nova construção planetária, é como se na verdade só o ponto do Coração fosse a única realidade sem desvios possíveis, sendo o Cristo o único vivente tanto do interior como do exterior, em tudo, em todos, e em todas as dimensões. A visão de algo longe e a repulsão e projeção de todas as ilusão, se fundem no único momento Presente, e somente a Paz Suprema comanda, e esvoaça de asas bem abertas. Aquilo onde ela ainda se tentava manter como um desdobramento para uma experiência melhor, aqui ou ali, morrem em sua raiz, a consciência absorve tudo, e não se afunila num corpo, alias o corpo, este aglomerado de átomos Divinos, fica apenas como um ponto de Amor, do Amor Cósmico soprado pelo Pai Absoluto. As esperanças de sobrevivência evaporam, o status nem é perceptível, a pequenez se estabelece, o imensurável é a Única realidade palpável, o Único Alimento. Os enganos se vão, em suma, o falso se dilui, dando asas bem afogueadas, à liberdade que sempre fomos, Sendo apenas um caminhante de Luz, regido pelo que é Sem Nome...
Apenas concluo dizendo, que minha gratidão abrange todo o universo, todos aqueles que a Luz me designou mostrar e me acolher, seja de que ponto de vista eles estavam ou ainda estão, pouco importa, tudo me indicou o caminho para aquilo onde se diluem todos os caminhos, e a esses meu Amor eterno, respeitando neste incondicionalismo que é o Amor da Consciência Cristica Universal, caminharem no desígnio que o Pai de todas as coisas lhes designou. Abraço-os a todo o momento cósmico, Amo-os como Um só Coração que somos, e isso é inalterável, quer queiram quer não, pois a luz Vibral é sem espaço e tempo, intenções ou status, ela É, o que vive em toda a Vida.
Abraços de Paz a todas as sementes de estrelas, e a todas as crianças que despertam para sua natureza infinita.
Helder Santos ( आग दिल )

Sem comentários:
Enviar um comentário