Eu apenas escutei o chamado que a floresta do Ouro me convida a entrar... Arrisquei perder o conhecido, arrisquei morrer no tempo, e para o tempo...
Eu vi que nada me restava das vestes pálidas que se movimentavam em repetições desgastas como os ponteiros do relógio, e entreguei-as ao silêncio...
Deste invisível o medo se apoderou, e a porta da entrada para esta floresta era pequena, um buraco curto para tantas roupas, mas o chamamento zumbia forte, e o coração decidia ir pra casa, nada pude fazer, as forças quebravam a cada suspiro...
Aquela porta me sugava e despia o que tanto segurava como realidade, e chorei... A cada lágrima ia despindo o falso ouro, de um falso rico me despedia, sem nada saber o que ali me esperava, e só a fé me segurava...
A pobreza, mesmo que dolorida, foi o passaporte para uma praia que desconhecia... meu Coração não podia esperar mais, e mesmo esse que pensava inabalável, tive que entrega-lo ao vazio do Absoluto...ele não tinha um dono fixo e com nome... e entreguei meu Ser ás mãos da omnipresença...
... e a porta da floresta se abriu, e remei Nu a um horizonte sem forma, sem som, a um horizonte de nada... não podia recuar, meu desejo era a Verdade... meu desejo era findar os desejos... e mesmo gritando na dor mais avassaladora da alma, aceitei atravessar com o ultimo barco que restava... o ultimo medo... e dentro do peito algo se jogava sorrindo para o vazio...
... bem vindo a casa... bem vindo meu Filho...
Helder Santos (आग दिल)
Foto: © Kasia Derwinska

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