domingo, 18 de setembro de 2016


O Absoluto não se embaraça com dicotomia e prisões pessoais. Somente a pessoa resiste a tal evidência. O amor nada vê se não o Um. O silêncio não é travado por nada ruidoso.
Se tudo é Um, quem anda falando com quem? 
Essa é a lucidez e a profundez de somente Ser. Enquanto a vontade e a atração por um papel na matéria se relativizar como percepção e projeção de sobrevivência efêmera, a liberdade essencial não é vivida, a plenitude e a simplicidade se afastam, a leveza se torna fardo. O medo e a falta geram uma atração por um reconhecimento aprisionador no personagem que se agarra a um castelo de ilusões... neste ponto está o marcador essencial para abandonar qualquer caminho, e ser o próprio caminho, a verdade e a vida silenciosa.
Sair de qualquer função dualitaria é viver mesmo num ainda corpo terreno, a unidade livre e atemporal, onde nem a dualidade é vista como tal. Se o amor é o todo, o que buscar num jogo se não um mérito pessoal, de um personagem fictício ? 
Ser livre, ou o liberado vivente, não vê pessoas nem funções, nem algo que esteja acontecendo realmente, ele é absoluto informe mesmo numa forma, ele é a espontaneidade do sopro da unidade. Ser Mestre de alguma coisa é pra ele uma fraude pessoal, pois se tudo é perfeito no núcleo do coração, ter uma função de salvador ou sabedor, é já sair do coração, a única sabedoria, para pessoalmente afirmar que alguma coisa acontece e é imperfeita. Eis o restabelecimento que a inteligência da luz reunifica, e a última inversão para o real alinhamento ao centro, devolvendo ao coletivo, a liberdade da experiência em todas as moradas do cosmos, de ser absoluto e livre em qualquer dimensão, mas para ser livre é já sacrificar a personagem e um Eu imaginário, pois a liberdade a nada se prende, a nenhum Eu ou tu. A imaginação de esquecimento termina na entrega do conhecido para este eu, no silêncio, ao desconhecido da visão, que dissolve a crença do fantasma do ego, e é restabelecida á consciência Cristica, vivente em todas as centelhas, gotas de um único oceano, o coração do coração.
...mergulha neste centro oceânico onde a unidade nunca nasceu ou morreu, e sê livre, essa é a natureza do Ser...

Nadhaji


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